quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Perseguidor Implacável

Perseguidor Implacável
Resolvi rever o primeiro filme da série Dirty Harry, que no Brasil se chamou Perseguidor Implacável. O filme, um policial eficiente, sempre foi polêmico por causa de seu subtexto. Basicamente ele prega a ineficiência do sistema jurídico e a vingança olho por olho, dente por dente, como uma forma de saciar a sede de justiça da sociedade. Esse roteiro fez escola, todo filme do gênero em que você se depara com um policial cansado da burocracia ineficiente do Estado que resolve limpar as ruas por conta própria é de certa forma um herdeiro desse famoso personagem interpretado por Clint Eastwood. Para Dirty Harry tudo é muito simples, basta empunhar sua Magnum 44 e mandar fogo em cima dos meliantes. Fácil, rápido e eficaz; Em determinada cena do filme Harry se irrita quando o comissário de polícia lhe avisa que a prisão que ele fez era completamente ilicita e que não teria valor jurídico, o que iria ocasionar a soltura do criminoso, que assim estaria de volta às ruas. O problema nasceu porque o detetive interpretado por Clint Eastwood havia invadido um local sem mandado judicial, pois ele simplesmente arrebentou as portas e foi lá pegar o bandido.

Como prega o direito dos países ocidentais não se pode invadir um local sem autorização judicial. Para o cidadão comum isso não passa de uma fírula jurídica, até porque no final tudo não deu certo? Harry não prendeu o Serial Killer? Bom, essa visão simplista não iria valer se o local invadido fosse sua própria casa, não é mesmo? É isso, as pessoas de uma forma em geral não conseguem entender que todos esses direitos e garantias individuais servem para proteger o cidadão do próprio Estado, que sem nenhum tipo de norma que regulasse o seu poder iria obviamente abusar do mesmo. Tirando essas questões sociais de lado o fato é que como diversão o filme funciona muito bem. Clint deixou os filmes de western de lado e levou a ética que movia seus personagens sem nome para a selva da cidade grande, para o caos urbano onde impera a violência sem limites. O filme, apesar de ser totalmente incorreto do ponto de vista político se tornou um grande sucesso de bilheteria, gerando várias continuações. Curiosamente Clint Eastwood iria virar as costas para Dirty Harry quando emplacou sua carreira política - ele chegou a se tornar prefeito de uma cidade americana. A mensagem de violência do justiceiro Harry não caia muito bem nos palanques.

Perseguidor Implacável (Dirty Harry, Estados Unidos, 1971) Direção: Don Siegel / Roteiro: Harry Julian Fink, Rita M. Fink / Elenco: Clint Eastwood, Andrew Robinson, Harry Guardino / Sinopse: A população da cidade de San Francisco fica em pânico ao saber que há um novo assassino em série pela ruas. Ele se auto denomina 'Scorpio Killer' e está disposto a espalhar o terror entre a sociedade. Antes disso porém terá que enfrentar o detetive Harry Callahan (Clint Eastwood), conhecido pela imprensa como "Dirty Harry" por causa de seus métodos violentos de lidar com a criminalidade. Filme indicado ao Edgar Allan Poe Awards na categoria de Melhor Filme. 

Pablo Aluísio.

O Estranho que Nós Amamos

Título no Brasil: O Estranho que Nós Amamos
Título Original:  The Beguiled
Ano de Lançamento: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: The Malpaso Company
Direção: Don Siegel
Roteiro: Albert Maltz, Irene Kamp
Elenco: Clint Eastwood, Geraldine Page, Elizabeth Hartman, Jo Ann Harris, Darleen Carr, Melody Thomas Scott

Sinopse:
Durante a guerra civil nos Estados Unidos, um soldado do exército da União é resgatado por um grupo de mulheres que vivem isoladas, tentando sobreviver em um rancho no sul do país. O soldado, muito ferido, é levado para o local e elas começam a tratar dele. Essa situação acaba criando uma grande tensão por causa de sua presença naquele local.

Comentários:
O roteiro desse filme foi baseado no romance escrito por Thomas Cullinan. Esse foi o primeiro grande diferencial em relação a outros filmes de faroeste do ator Clint Eastwood. Isso porque a história valorizava muito mais o relacionamento humano entre os personagens, sendo a ação deixada em segundo plano. O filme investe bastante na dualidade de se ter um soldado da União sendo tratado por mulheres sulistas, ou seja, ela estavam ajudando o inimigo de guerra. Isso por si só já seria ruim o bastante, mas ainda havia a questão da tensão sexual envolvida com a presença de um homem como ele no meio de tantas mulheres solitárias e abandonadas à própria sorte. Esse filme já demonstrava que Clint Eastwood estava preocupado em investir mais no conteúdo dramático de seus filmes. Para isso, ele produziu o filme e trouxe para dirigi-lo o excelente cineasta Don Siegel. O resultado é muito bom. Um filme realmente marcante. Houve, inclusive, um remake recente, mas esqueça esse novo filme. Embora seja até bem feito, não se compara esse original dos anos 70. Clint Eastwood estava em plena forma. Esbanjando carisma e boa atuação em um filme realmente acima da média.

Pablo Aluísio.

Perversa Paixão

Perversa Paixão
Esse filme marcou a estreia na direção de Clint Eastwood. Na época que foi anunciado que ele iria ser diretor de seu próximo filme, muita gente não levou fé nele. Afinal, ele era vista apenas como um ator que interpretava os tipos durões em filmes de ação, policial ou faroeste. Quando o filme surgiu nos cinemas, a crítica se surpreendeu completamente. Clint não era apenas habilidoso para fazer um bom filme, mas também conseguia manter o suspense em um nível elevado. E esse filme, de certa forma, nada tinha a ver com os filmes de seu passado. Havia nuances de um drama adulto mostrando um radialista que dava a chance de encontrar uma fã que ouvia seu programa de rádio. Esse programa era feito nas madrugadas com muita música romântica. Então, o personagem de Clint pensava que ela queria apenas um encontro de fim de noite. Para seu azar, era uma mulher obcecada que não estava interessada muito em romantismo, mas sim em satisfazer sua veia obsessiva. 

Assisti pela primeira vez há muitos anos em um Supercine, da Rede Globo, ainda nos anos 80. Assim como a crítica que havia gostado muito do filme em seu lançamento original, eu também me surpreendi com o resultado. O personagem de Clint não tem nada de heróico, nem age como um durão valentão das ruas. Ele é apenas um cara comum que se vê em uma situação muito triste, lamentável e perigosa. De certa forma, lembrava até mesmo que iria acontecer com John Lennon quando foi morto por um fã insano dos Beatles. O roteiro relembra que o termo fã vem de fanatismo, por isso não se pode brincar muito com esse tipo de relação entre ídolo e fã. Tudo pode acabar mal.

Perversa Paixão (Play Misty for Me, Estados Unidos, 1971) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: Dean Riesner / Elenco: Clint Eastwood, Jessica Walter, Donna Mills / Sinopse: Radialista de um programa noturno de músicas românticas, se envolve em uma situação extremamente perigosa ao se encontrar com uma fã insana de seu programa de rádio.

Pablo Aluísio.